Blog Marmota Apodiense
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
ROUBO DE ANIMAIS: Gustavo Carvalho cobra Patrulhamento Rural da PM na Chapada do Apodi
Blog Marmota Apodiense
FALTA DE ESTRUTURA AMEAÇA PRODUÇÃO DE MEL
Apodi é o maior produtor de mel do Rio Grande do Norte. É também a partir desse município que é escoada a maior parte do produto colhido todo ano. Porém, mais uma vez, a falta de estrutura dificulta a vida das famílias e põe em risco uma cultura que já está consolidada na região. Mais que renda, a apicultura tem sido responsável pelo reflorestamento da caatinga.
O problema é que Apodi só dispõe de um entreposto para armazenar e comercializar toda a produção. Ainda por cima, o prédio, único com Selo de Inspeção Federal (SIF), está localizado na comunidade de Laje do Meio, a 30km da zona urbana.
A Cooafap, por exemplo, já produziu 180 toneladas de mel e, se não fosse o entreposto de Laje do Meio, estava impossibilitada de comercializar o produto. Outra que depende do centro de comercialização é a Cooperativa Potiguar de Apicultura (COOPAPI), que só em 2011 recebeu de seus sócios mais de 130 toneladas do produto. 70% mais do que em 2010.
Desde dezembro do ano passado, os agricultores receberam o prédio do novo entreposto de Apodi, localizado na estação experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), a 5km da cidade. Porém, o governo anterior não deu a contrapartida exigida pelo governo federal para que fossem implantados os equipamentos de produção.
De acordo com a Coopapi, desde então, um investimento de R$ 100 mil em máquinas está sendo aguardado. A dificuldade maior é que, como o projeto pertence ao Estado, só o Executivo pode fazer os investimentos. No início deste ano, os coordenadores da Cooperativa estiveram com a governadora Rosalba Ciarlini, que garantiu resolver a situação, mas até o momento nada foi feito.
Além de não ter entreposto, o Ministério da Agricultura reprovou ainda todas as casas de mel construídas na região, alegando inadequações nos projetos liberados por seus próprios técnicos.
Materia: José Paiva
Jornal de Fato
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Governo vai rever projeto de irrigação da chapada do Apodi
Entidades ligadas ao campo consideram que a atividade de agricultura familiar será prejudicada caso sejam instaladas empresas para explorar o agronegócio, e reclamam de desapropriações que terão que ocorrer, além de outros impactos ambientais. Já o Governo defende que não há como desenvolver o campo se essas atividades forem dissociadas.
Porém, o projeto só será implantado se for bom para as partes. Foi o que garantiu o ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho, ao receber nesta segunda-feira, 19, uma comitiva de representantes de entidades do setor rural, acompanhados da governadora Rosalba Ciarlini, ministro Garibaldi Filho, deputados Fátima Bezerra e Fernando Mineiro e o diretor do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS, Elias Fernandes.
O projeto prevê a irrigação de 5 mil hectares com investimentos de R$ 240 milhões. Segundo os representantes das entidades do campo, se ele for concebido do jeito que está, 305 pequenos irrigantes serão prejudicados.
O ministro Fernando Bezerra propôs que sejam elaboradas duas novas propostas. Uma, por essas entidades; outra, por técnicos do Ministério, para que seja elaborado um projeto de consenso. "É importante para o RN que o projeto de irrigação da chapada do Apodi seja colocado no PAC, mas precisamos aprimorá-lo", aconselhou o ministro, admitindo que o projeto será redimensionado para atender os interesses das comunidades e dos governos federal e estadual.
A governadora Rosalba Ciarlini assegurou que todos os esforços para que o novo projeto seja elaborado dentro desse propósito será feito pelo Governo do Estado. "Podem contar com as Secretarias de Agricultura e da Reforma Agrária", ressaltou Rosalba.
Dentro de 15 dias haverá uma reunião em Natal com a presença de representantes do Ministério de Desenvolvimento Agrário, DNOCS, Fetarn, Agência de Articulação do Semi-Árido (ASA) e Governo do Estado. Depois, a proposta será levada ao Ministro. "Deveremos ter uma posição até o fim de agosto", previu o ministro, dizendo que o novo projeto terá que dar segurança hídrica e atender à meta de desenvolvimento sustentável.
Fonte: Assessoria de Comunicação Social do Governo do RN (www.rn.gov.br)
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Ministro manda rever projeto da chapada
A reunião foi realizada no gabinete do ministro Fernando Bezerra, da Integração Nacional, ao meio-dia de ontem, com a presença da governadora Rosalba Ciarlini, do senador/ministro Garibaldi Alves, da deputada federal Fátima Bezerra, deputado estadual Fernando Mineiro, e uma comitiva de agricultores do município de Apodi e também da região do Vale do Jaguaribe. Também participou da audiência o presidente do Dnocs, o ex-deputado federal Elias Fernandes.
Os primeiros debates foram vencidos pelos grandes produtores que fortalecem a ideia da agroindústria em território do Rio Grande do Norte e do Ceará. O Dnocs já estava trabalhando (realizando audiências públicas) para desapropriar uma área de 14 mil hectares na chapada do Apodi e investir um valor aproximado a R$ 280 milhões na instalação de um sistema adutor e a instalação da estrutura de alvenaria na região da Chapada do Apodi para assentar 351 agricultores.
Entretanto, o projeto de criação do Distrito Irrigado da Chapada do Apodi não recebeu o aval dos produtores da região. Alegam vários motivos. O primeiro foi exposto pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Apodi, Edilson Neto. "O Dnocs está querendo fazer o inverno da reforma agrária. É que esta área que está para ser desapropriada pertence a centenas de pequenos produtores rurais e depois seria para grandes produtores", explica Edilson Neto.
O segundo problema foi exposto pela engenheira florestal, mestre em Meio Ambiente e doutora em Agricultura Tropical, Verlândia Morais. Segundo ela, esse tipo de distrito irrigado proposto pelo Dnocs para a Chapada do Apodi tem vários fracassados pelo Nordeste. Exemplos não faltam. Verlândia observa o alto custo de manutenção do sistema adutor (energia) e também da estrutura de distribuição de água dentro do distrito irrigado.
De forma mais incisiva, a doutora Raquel Rigotto, professora e pesquisadora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, declarou que a grande quantidade de agrotóxico usada pelo agronegócio está causando uma série de doenças crônicas na população rural, alem de prejuízos evidentes à economia das famílias. Assim como os demais, Rigotto orienta a necessidade de mais investimentos na agricultura familiar.
Segundo Procópio Lucena, coordenador da Articulação do Semi Árido (ASA), o caminho correto para aproveitar o potencial hídrico da barragem de Santa Cruz, assim também como da Barragem de Umari, é investir na agricultura familiar. No caso de Apodi, o melhor é fazer o sistema adutor para irrigar a região de várzea nos períodos de estiagem por gravidade. Ao menos é isto que os pequenos produtores querem e estão dispostos a ir às ruas por isto.
Todas as questões foram expostas ao ministro Fernando Bezerra ontem pelos representantes legais dos trabalhadores da região de Apodi e também do Vale do Jaguaribe. O presidente do Dnocs, Elias Fernandes, assistiu a tudo. Em alguns momentos ainda tentou sustentar a sua tese de que o melhor é investir no agronegócio na Chapada do Apodi, mas seus argumentos apresentaram-se fracos diante da quantidade e a qualidade técnica versado no sentido contrário.
FONTE: Jornal de Fato